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História de persistência no caminho da inovação

18.06.2018

Por Edison Lemos

Sementes Castrolanda comemora 41 anos de existência em 2018, alinhada em estratégias com o cooperado escolhido para produzir sementes de alta qualidade. O sucesso da marca é reflexo da dedicação e trabalho de seus cooperantes. Sementes hoje é um negócio muito evoluído, muito profissional. Um negócio de futuro, porque a produção é dependente de uma boa semente. Mas nem sempre foi assim. A caminhada para construção deste selo de qualidade foi dura, e longa!

Frans Borg, presidente da Castrolanda, que viveu a experiência de trabalhar na área técnica da cooperativa nos primeiros tempos, lembra que as terras da região começaram a ser desbravadas com o plantio de arroz. No início dos anos 70, quando a cultura do trigo evoluiu e logo depois veio a soja, a semente já assumia um papel de insumo importantíssimo. Então a cooperativa começou a investir na produção de sementes. Nesse tempo a semente era produzida, ensacada na lavoura e internalizada na cooperativa para depois ser beneficiada.

O recebimento a granel só aconteceu depois que a cooperativa obteve aprovação de um projeto em Brasília liberando a operação junto a um órgão do Ministério da Agricultura, coisa que até então era proibida. Era uma época em que não havia como separar variedades, então o projeto era justamente para receber as variedades separadamente, em várias moegas, com fluxo separado.

A partir de então evoluiu bastante na produção de sementes tanto para associados quanto para terceiros. Nesse tempo a semente era recebida, secada, trazida para uma umidade em torno de 13%, depois era feita uma prévia de germinação, qualidade, e uma vez que fosse aprovada era beneficiada, ensacada, submetida a uma análise definitiva, e então disponibilizada para o mercado.

"Na época nós implantamos um programa chamado "Semente Especial". Essa semente vinha da Embrapa e de órgãos de pesquisa as variedades novas, se entregava para 25 produtores pré-selecionados que produziam a semente especial, que depois a cooperativa multiplicava em campos de multiplicação de semente. A bonificação para quem produzia era maior, chegava a 25%. Ela precisava ter menos de 16% de umidade e tinha de ser ensacada, porque não podia ser misturada com outras inclusive da mesma variedade. Ou seja, era segregada em lotes que serviam de multiplicação para os próximos anos. Era semente de uma qualidade diferenciada, quanto à pureza, e que exigia uma condução da lavoura totalmente diferente", recorda Frans Borg.

O monitoramento que se faz atualmente em lavouras de sementes, na época era assim! As vistorias eram feitas pelos agrônomos. Se tivesse plantas estranhas o produtor tinha que arrancar, fazer o que se chamava "rougen", ato de segregar, para se ter a semente mais pura possível. Frans conta que era duro o técnico caminhar lavouras inteiras para identificar se havia plantas estranhas, desbravando soja de mais de metro de altura.

"Quando era janeiro, sempre chovia, a soja da época detinha porte alto, era quase como andar no mato, no meio da soja encharcada. A gente saía como se tivesse tomado banho depois de uma vistoria dessas para verificar se a lavoura não tinha contaminantes". Conta que às vezes o produtor nem sabia que havia misturado variedades na própria lavoura, e só constatava isso depois que as folhas caíam.