Artigos Técnicos

Gesso agrícola aumenta a eficiência da adubação nitrogenada

Por Roberto Simão

O gesso agrícola é um subproduto da indústria de ácido fosfórico e os estudos do seu uso na agricultura se intensificaram na década de 1990. Incialmente tinham-se como os principais benefícios do uso do gesso: alta solubilidade, fornecer cálcio em profundidade, reduzir a saturação do alumínio, aprofundar o sistema radicular e, em função destes fatores, propiciar uma maior tolerância das plantas aos veranicos. A seguir a figura 1 representa a distribuição relativa das raízes no perfil do solo, comparando áreas com e sem gesso.

A figura 1 ilustra uma condição de restrição para o crescimento de raízes em solos ácidos, com presença de alumínio e baixo conteúdo de cálcio em maiores profundidades (sem gesso). A partir da inclusão do gesso no ambiente agrícola, todos os fatores de restrição de crescimento do sistema radicular foram sendo anulados, promovendo grandes aumentos no volume de raízes em camadas não exploradas na condição anterior.

A recomendação de gesso estava fundamentada em alguns atributos do solo na camada 20-40 cm: conteúdos de cálcio (Ca2+) inferiores a 5 mmolc/dm³, conteúdos de alumínio (Al3+) superiores a 5 mmolc/dm³ ou saturação de Al3+ superior a 20%. Caso alguma das condições fosse atendida, recomen-dava-se o uso do gesso.

Estudos recentes têm abordado uma nova linha de pesquisa para uso do gesso agrícola em áreas de produção de grãos. Dentre assuntos abordados, o que tem ganhado grande destaque é o uso do gesso agrícola que busca a minimização de impactos ambientais, tais como o aumento da eficiência na absorção de nitrogênio (N). Embora seja bem descrito na literatura a complexidade da dinâmica do N no solo, o comportamento do N no solo tem sido muito utilizado como indicador da fertilidade, visando desenvolver um programa de baixo impacto ambiental.

Perdas de nitrogênio aplicado na agricultura, seus impactos ambientais e econômicos também é um tema amplamente debatido em artigos técnicos e livros. Este estudo tem abordado as perdas do N por volatilização, desnitrificação e lixiviação, cuja totalidade de perdas têm ultrapassado 50% do N aplicado nos cultivos.

Dentre as formas de perdas de nitrogênio do solo, a principal é a lixiviação. A definição de lixiviação se resume como o processo de migração de nutrientes para maiores profundidades no perfil do solo, abaixo da zona de enraizamento das culturas.

A forma de nitrogênio que está suscetível às perdas por lixiviação é o nitrato. Em função da alta mobilidade no solo, o nitrato pode alcançar o lençol freático e resultar em poluição e eutrofização das águas. Este processo de lixiviação tem sido potencializado sob condição de altos conteúdos de nitrato disponíveis no solo, associados a períodos de altas precipitações.

A figura 2 a seguir representa um estudo realizado em ambiente com e sem gesso agrícola associado ao uso de altas doses de N.

Neste estudo, que teve como objetivo avaliar altas doses de N em áreas com gesso e sem gesso, foram quantificados os conteúdos de nitrato em cinco camadas do solo: 0-10 cm; 10-20 cm; 20-30 cm; 30-40 cm; e 40-50 cm e pôde-se constatar que houve uma redução significativa de nitrato nas camadas mais profundas (a partir de 20 cm) na área tratada com gesso, além de um maior conteúdo de N na parte aérea da planta.

Definitivamente, o uso do gesso tem apresentado ótimos resultados ao longo dos últimos anos, reduzindo a toxicidade de alumínio nas camadas mais profundas, fornecimento de cálcio e consequentemente aumentando o comprimento de raízes de culturas. Além disso, principalmente, em ambientes que se utilizam altas doses de N, o uso do gesso tem mostrado aumento da absorção de N, redução nos conteúdos de nitrato em maiores profundidades e se torna uma importante ferramenta na minimização dos impactos ambientais e poluição dos lençóis freáticos.

Por Roberto Simão, Assistência Técnica Agronômica Castrolanda
mais informações: robertos@castrolanda.coop.br

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